
Os muitos escândalos e abusos da “igreja” eram públicos e notórios muitos séculos antes que Martin Lutero pregasse as suas “95” teses à porta do templo, em Wittenberg, em 1517.
Lutero e os “reformadores” não eram radicais. Não comprometeram o apoio da classe dominante pregando doutrinas perigosas de igualdade. O “status-quo” estava mantido. As diferenças sociais ficavam intocáveis. “Os reformadores” não se colocaram ao lado dos oprimidos, pelo contrário, quando, pouco depois de iniciada a chamada “reforma” irrompeu
na Alemanha uma revolta generalizada de camponeses, em parte sob a influência do que ensinavam, ele ajudou a sufoca-la. São palavras de Lutero: “ Deus prefere que existam os governos, por piores que sejam, do que permitir à ralé que se amotine, por mais razão que tenha.” (J.S.Shapiro, Social Reform and the Reformation, Columbia University Press, 1909, p.80).
Enquanto os camponenes revoltados de 1525 gritavam: “Cristo fez livres todos os homens”, Lutero estimulava os nobres a aniquilá-los, com estas palavras: “Aquele que mata um rebelde.., faz o que é certo... Portanto, todos os que puderem punir, estrangular ou apunhalar, secreta ou publicamente. Os que perecem nessa luta devem realmente ser considerados felizes, pois nenhuma morte mais nobre poderia ocorrer a ninguém”(p.85-6)
Umas das razões, portanto, do êxito de Lutero foi não cometer o engano de tentar derrubar os privilegiados.
(extraído do livro "A História da Riqueza do Homem"
Leo Huberman
21a. edição, revista
Edit. Guanabara