
Dentro do que se denomina APOSTASIA, destaca-se o papel fundamental das CRUZADAS, fenômeno histórico onde milhares de europeus atravessaram o continente por terra e mar para a arrebatar a “terra prometida” aos muçulmanos. Essas viagens e ocupações levaram um novo ímpeto ao comércio, porque a demanda por provisões dos obstinados guerreiros provocou a existência maciça de mercadores que os acompanhavam o tempo inteiro para supri-los em tudo que precisassem.
Outro ponto a destacar refere-se a que “freqüentemente, as guerras fronteiriças contra os muçulmanos, no Mediterrâneo, e contra as tribos da Europa oriental eram dignificadas pelo nome de Cruzadas quando, na realidade, constituíam guerras de pilhagens de bens e de terras. A “igreja” envolveu essas expedições de saque num manto de respeitabilidade, fazendo-as aparecer como se fossem guerras com o propósito de difundir o “evangelho” ou exterminar pagãos, ou ainda defender a Terra Santa.”(1)
O que estava, na realidade, por trás das peregrinações à “terra prometida” não residia no resgate da “terra santa”, mas nas vantagens comerciais que certos grupos teriam com essas expedições. “Havia a idéia de transportar o furor violento dos guerreiros a outros países que se poderiam “converter ao cristianismo”, caso a vitória lhes sorrisse.”(1)
“Havia a “igreja” e o Império Bizantino, com sua capital em Constantinopla, muito próximo ao centro do poder muçulmano na Ásia. Enquanto a Igreja Romana via nas cruzadas a oportunidade de estender o seu poderio, a Igreja Bizantina via nelas o meio de restringir o avanço muçulmano ao seu próprio território. Havia os nobres e cavaleiros que desejavam os saques, ou estavam endividados, e os filhos mais novos, com pequena ou nenhuma herança – todos julgavam ver nas Cruzadas uma oportunidade para adquirir terras e fortuna.”(1)
“A Terceira Cruzada teve por objetivo não a reconquista da Terra Santa, mas a aquisição de vantagens comerciais para as cidades italianas. Os cruzados atravessaram Jerusalém, em demanda das cidades comerciais ao longo da costa.”(1)
Assim, a circuncisão, sempre patrocinada pelos poderosos e gananciosos sob o manto de religiosidade levou “por amor de Deus” perturbações aos lugares onde foram, espalhando a divisão dessas sociedades em classes: os que pouco ou nada tinham e os poderosos que tinham tudo, pela escravidão de suas mentes e, em muitos casos, de seus próprios corpos.
(1) História da Riqueza do Homem
Leo Huberman
21ª. Edição, revista
Editora Guanabara