
Texto extraído da Resenha da obra, Desclassificados do ouro: a pobreza mineira no século XVIII. Laura de Mello e Souza, elaborada pela pós-graduanda em História pela Universidade Federal Fluminense - 2006 - Natália Marques de Souza
Uma grande festa religiosa ocorre em 1733 em Vila Rica, quando o Santíssimo Sacramento da Igreja do Rosário é conduzido para a Matriz do Pilar. Segundo relata a autora Vila Rica, jamais havia presenciado tamanha pompa com apresentação de danças, alegorias, cavalhadas, figuras a cavalo representando os quatro ventos, tudo regado a muito luxo, visível através das roupas e enfeites onde foram utilizadas até pedras preciosas. Este acontecimento foi presenciado pelo Conde das Galvêas, governador das Minas, a Nobreza e o Senado da Câmara. Minas desfrutava de um período de riqueza com a descoberta dos diamantes e o Fisco já interessado na capitação do ouro que ocorreria em 1735. A população de Vila Rica era envolvida com a realização de grandes festas e procissões religiosas, acontecimentos que geravam gastos excessivos, sendo momentos marcados mais pelo “encontro e comunicação” do que expressão espiritual. Era ressaltado o aspecto externo, a aparência e euforia da sociedade mineradora. Outra grande festa religiosa ocorre em 1748, que a autora chama de momento de efusão barroca, é a festa do Áureo Trono Episcopal, celebrando a criação do Bispado de Mariana. D. Frei Manuel da Cruz, nesta época, Bispo do Maranhão iria ocupar este cargo, a notícia de sua chegada espalhou-se e esta festa como as outras ocorreu com luxo e pompa, ocasião em que o ouro já estava em decadência. Em 1748, Minas passa por reformas urbanísticas e no período compreendido entre 1735 e 1751, a captação de escravos e o censo das indústrias apresenta rendimento máximo, porém a decadência já era visível. O período áureo das Minas ficou marcado com as festas religiosas, onde a autora destaca a falsidade e hipocrisia de um sistema preocupado apenas em apresentar pompa e ostentação.
[Comentário à luz do Evangelho] -A Igreja católica age com total desprezo e desrespeito à vontade de Deus expressa em sua Palavra. Ela visa unicamente atender aos seus próprios interesses: ventre ativado em busca de dinheiro, ânsia desenfreada pelo poder e preocupação em agradar aos potentados e às elites. Há mais de 2000 anos, o povo de Israel vivia sob a direção de Moisés e este o guiava segundo as orientações de Deus. Veja bem, se nesta época em que estava em vigência a Lei, se o pacto que vigorava era o da circuncisão (caracterizado pela prática de obras, ritos, jejuns, cerimônias, mandamentos) se Cristo ainda não havia sido crucificado, ou seja se o povo estava cronologicamente antes da cruz e Deus estava claramente rejeitando uma prática, um ritual que ele mesmo havia exigido, porém, agora, não o queria mais, logo, não teria mais sentido ( passados todos estes anos, estando agora o povo cronologicamente situado depois da cruz, a lei já cumprida, abolida, O fim da lei é Cristo. Rom. 10:4, o pacto já tendo mudado de circuncisão para incircuncisão que é um pacto mais excelente, por graça, por fé) a Igreja seguir com as mesmas festas, as mesmas práticas por Deus rejeitadas. A Igreja segue em desobediência à vontade de Deus expressa em sua Palavra, segue em condenação, pisando no sangue derramado por Cristo, rejeitando o pacto constituído. Porquê? A pergunta vale como reflexão, porque o apóstolo Paulo, em sua carta a Tito, cap. 1, verso 2 diz: aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Fica claro que estes homens ensinavam o que não convinha, o motivo era a torpe ganância e o resultado de tal atitude era o transtorno que eles causavam a casas inteiras. A Igreja Católica é a representante desse sistema, pois não se ocupava em obedecer as instruções de Deus, prescritas em sua palavra e sim atender a seus próprios interesses. Essa ininqüidade, com o passar do tempo fez, como previu o Apóstolo Paulo, com que o mundo mergulhasse na apostasia.
Capítulo 1, de Isaías, verso 12 ao 15. (Diz): “Quem demanda isto de vossas mãos, quando vindes a apresentar-se diante de mim para pisar meus (pátios) meus átrios”?
“Não me tragais mais oferta vã;…” E Ele exigia oferta, porém diz Ele que era vã. (Logo diz): “… o incenso (que era requerido nesse pacto) me é abominação; lua nova e dia de repouso…” Que, imagina, o dia de repouso era o sábado, Ele o exigia, mas logo diz:
“… lua nova e dia de repouso, o convocar assembléias (que Ele exigia) não posso (agüentar) não o posso sofrer; são iniqüidade vossas festas solenes. Vossas luas novas e vossas festas solenes têm aborrecido minha alma; me são pesadas; cansado estou de suportá-las. Quando estender vossas mãos, eu esconderei de vós meus olhos; assim também quando multiplicardes a oração, eu não ouvirei; cheias de sangue estão vossas mãos